A demonstração de fluxo de caixa tal qual apresentada pelas empresas é uma ferramenta muito útil para análise gerencial. Essa demonstração é dividida em atividades como Operações, Investimentos e Financiamentos. Operações representa o que de fato a empresa realizou em transações financeiras com clientes, fornecedores, pagamentos a pessoal, administrativos e impostos, ou seja, todas transações operacionais. Investimentos são transações decorrente do pagamento e recebimento por aquisições e vendas de ativos imobilizados, ativos intangíveis e participações societárias. Do ponto de vista gerencial, incluir transações com aplicações financeiras nessa linha prejudica a análise proposta, nesse caso uma solução seria considerar as aplicações financeiras dentro de um conceito de caixa expandido.
Assim o ideal é que uma empresa tenha um Fluxo de Caixa positivo após conseguir pagar as suas transações de investimentos, de forma a poder cumprir seus compromissos com credores e distribuir dividendos aos acionistas.
Mas faz-se necessário analisar como esse fluxo de caixa está sendo obtido ou consumido.
Considere as seguintes configurações de Fluxo de Caixa
Análise das diferentes configurações e conexões com ciclo de vida
Em termos de análises gerenciais podemos tecer os seguintes comentários, partindo da premissa que o Fluxo de Caixa das operações quando positivo, tenha como base um EBITDA positivo, e quando negativo, seja em função de um EBITDA negativo (num próximo post, vamos discutir essas situações de EBITDA e FCO):
- Situação A: O fluxo de caixa das operações é negativo e a empresa tem que fazer investimentos. Provavelmente ela se encontra no início como uma start-up.
- Situação B: O fluxo de caixa das operações passa para positivo e é suficiente para fazer frente aos investimentos, podendo amortizar dívidas ou distribuir dividendos. Provavelmente ela já estaria madur
- Situação C: O fluxo de caixa das operações não é suficiente para fazer frente aos investimentos, nesse caso a empresa terá que usar recursos do caixa ou ainda tomar novos empréstimos ou aporte de capital de acionistas. Provavelmente ela está na fase de crescimento acelerado, que pode ser financiado com recursos de terceiros, nesse caso seria crescimento alavancado.
- Situação D: Nesse caso apesar do FCO ser positivo, a empresa provavelmente está se desfazendo de operações que não são tão rentáveis, em uma estratégia de desinvestimento para se concentrar em algum segmento ou fazer aquisições em outro setor ou empresa. Provavelmente uma mudança de foco de negóciosou priorização de rentabilidade.
- Situação E: Essa pode ser uma empresa em que está em processo de restruturação financeira, mas mesmo vendendo ativos, o fluxo de caixa “livre” ainda continua negativo, tendo que ou usar o caixa existente ou caso não tenha capacidade de captar recursos, teria dificuldade de continuar operando. A fase seria o declínio ou início do turnaround.
- Situação F: A empresa está em processo de restruturação como a empresa E, mas ainda teria alguma condição de amortizar alguma dívida, podendo se manter viva, por exemplo dentro de um processo de recuperação judicial. A fase seria o declínio, mas com o turnaround em andamento.
Essas conexões eu uso em minhas aulas e consultorias, mas durante uma banca de qualificação de doutorado fui apresentado a um paper que faz conexões com a teoria de ciclo de vida, usando a demonstração de fluxo de caixa. O paper é Dickinson, V. Cash flow patterns as a proxy for firm life cycle. The Accounting Review, v.86, n.6, p.1969-1994, 2011. Vale a leitura do paper.
Mais detalhes constarão no livro que iremos lançar em 2016.
Espero que seja útil a leitura.
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